Archive for the ‘Movimento estudantil’ Category

DCE UnB: Amanhã Vai Ser Maior!

9 de agosto de 2010

Declaro aqui meu apoio à chapa 1 – Amanhã Vai Ser Maior – na disputa da Gestão do DCE e vagas de Representante Discente nos Conselhos Superiores da universidade.

As eleições acontecerão amanhã (10/08) e quarta-feira.

Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.

Darcy Ribeiro

Sou apaixonado pela Universidade de Brasília. A UnB de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, feita para pensar e transformar o Brasil, transgredir etiquetas acadêmicas, abolir pactos de mediocridade, inovar na educação e nas formas de criação do saber, integrar-se aos anseios, sonhos e lutas da sociedade.

Anísio e Darcy não queriam que a nossa querida UnB fosse apenas uma das grandes instituições de ensino superior do mundo. Sonhavam alto: queriam inaugurar um novo modelo de universidade para o planeta. Esse projeto revolucionário atraiu para o Planalto Central mentes brilhantes, ávidas por participar de uma universidade livre, democrática, experimentalista e comprometida, desde a sua origem, com a emancipação do povo brasileiro.

A ditadura tentou abortar esse sonho e causou enormes estragos, mas sempre houve quem resistisse às trevas. Honestino Guimarães, por exemplo, que dá nome ao nosso DCE, e inúmeros outros estudantes, protagonistas de tantas lutas fundamentais para que o espírito fundador da UnB jamais tenha se perdido por inteiro.

Em 2008, os estudantes honraram esse tradição e ocuparam a Reitoria, num processo que reivindicou não apenas a renúncia de um Reitor envolvido com irregularidades com fundações de apoio, mas a refundação da UnB.

O maior desafio da próxima gestão do DCE será atuar como instrumento de organização e mobilização dos estudantes para construir o Congresso Estatuinte Paritário e a formulação de um novo projeto político-pedagógico para a UnB, capazes de reinventá-la, retomando seu espírito original. Apóio a chapa 1 – Amanhã Vai Ser Maior! – sobretudo por crer que ela é a mais capaz de servir a esse propósito, pelo seu enraizamento em diversos grupos estudantis e sua capacidade de formulação, diálogo, luta e trabalho, demonstrada ao longo da gestão Pra Fazer Diferente e da atual campanha.

Eu sou do tamanho do que vejo“, dizia Bernardo Soares. Nós convidamos todos os estudantes a verem e fazerem conosco uma UnB muito maior em qualidade, em extensão, ensino, pesquisa, cultura, política, integração, utopias, indignação, ousadia, ciência, arte, democracia….

E vai nascer, e vai nascer uma nova UnB!

PS: outro fator fundamental para o meu apoio à chapa 1 é que os seus representantes no CONSUNI e no CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa  e Extensão) tiveram 100% de frequência, desde a última eleição. Nenhuma outra chapa teve isso. É curioso que no CEPE, as outras chapas tiveram frequência de menos de 1/3… Inclusive a chapa que só concorre às cadeiras de representante discente, e afirma que, supostamente à diferença das outras, tem compromisso com excelência acadêmica. O critério da verdade é a prática, e quem mais demonstrou compromisso com o ensino, a pesquisa e a extensão, na prática, foram os membros da atual chapa 1. Não só pela presença, o que seria a obrigação mínima de qualquer pessoa eleita para um mandato, mas pela busca por pautar demandas estudantis nesses conselhos (em que alcançamos algumas vitórias importantes, na área de assistência estudantil, por exemplo), e, fora dele, integrar-se e fortalecer o movimento extensionista, por exemplo. Nesse último aspecto, a atuação foi ainda incipiente, mas estabeleceu-se uma relação mínima cujo aprofundamento é prioritário para este novo período, quer o grupo seja ou não eleito para a direção do DCE.

Cursos pagos na UnB: Prejuízos sociais e acadêmicos da mercantilização da educação

19 de julho de 2010

Segue abaixo texto que escrevi no início de fevereiro e que saiu agora no Jornal do DCE UnB (eu o tinha publicado antes, já, no blogue do B&D).

Cursos pagos na UnB: Prejuízos sociais e acadêmicos da mercantilização da educação

Por João Telésforo Medeiros Filho,

estudante de Direito, Coordenador de Formação Política e Movimentos Sociais do DCE

O Ministério Público Federal entrou em janeiro com uma ação na Justiça pedindo a suspensão da cobrança de taxas nos cursos de especialização (“pós lato sensu”) da UnB. O MPF afirma que os cerca de 70 cursos pagos da universidade, que chegam a cobrar de cada aluno mais de R$ 10 mil anuais, contrariam o princípio constitucional da “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais”.

Em fevereiro de 2009, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região deu razão ao MPF e ao DCE-UFRGS em pedido análogo contra a cobrança de mensalidades por cursos da UFRGS. O TRF citou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal de 2008 que reconhece que o princípio da gratuidade do acesso ao ensino público aplica-se também ao ensino superior. Na decisão que deu origem à súmula, o STF assinalou que “o legislador constituinte, ciente do fato de que o ensino público superior é acessível predominantemente pelas classes sociais detentoras de maior poder aquisitivo, buscou produzir mecanismos que superassem essa desigualdade de acesso, dentre os quais a gratuidade do ensino público nos estabelecimentos oficiais”.

Caso alguém tenha dúvidas sobre o efeito excludente da cobrança de mensalidades, basta verificar as estatísticas demonstrando que o acesso às universidades privadas é ainda mais elitizado economicamente do que às públicas. A cobrança de matrículas e mensalidades, portanto, é um meio inconstitucional e socialmente injusto de financiar a atividade universitária.

O interesse corporativista de parte dos professores privatiza o ensino e pode se contrapor à qualidade acadêmica

Se a cobrança de taxas é inconstitucional, antidemocrática, contrária ao sentido público da Universidade, então por que a UnB a mantém? As justificativas em geral dadas para a cobrança costumam ser que (i) cursos de pós lato sensu não são atividade-fim ou “essencial” da universidade, mas atividade-meio, que ajudaria a financiar as atividades-fim (ensino, pesquisa e extensão); (ii) é legítimo que os professores procurem complementar seu salário por meio da remuneração extra que ganham nesses cursos.

Essas justificativas beiram o absurdo. Não nego que cursos de especialização possam cumprir papel social relevante e ser do interesse acadêmico da universidade, quando feitos com objetivos acadêmicos autênticos, e não apenas para vender diplomas. Oponho-me à cobrança de taxas, não aos cursos sérios que existem. Porém, curiosamente, a estranha justificativa para cobrar as mensalidades reside justamente na afirmação de que todos esses cursos não são atividades-fim ou “essenciais”. “Pós lato sensu” não é ensino, pesquisa nem extensão? O que é, então? Puro comércio? Teremos de acrescentar o comércio como quarta dimensão do afazer universitário, ao lado do clássico tripé ensino-pesquisa-extensão?

Além do dano social imposto pela barreira censitária, outro prejuízo pode ser causado por esses cursos caça-níqueis: ocorre incentivo econômico para que os professores os priorizem, em detrimento de suas atividades de pesquisa e sobretudo de extensão e ensino – já que via de regra não recebem remuneração extra para exercê-las. Nós, estudantes de graduação, talvez sejamos os maiores prejudicados…

Não se pode concordar com o discurso de que, por ganharem mal, os professores tem o direito de complementar seus salários à custa da cobrança de mensalidades. Seria tão bizarro quanto um médico do SUS (Sistema Único de Saúde, serviço público), sob o argumento de que é mal remunerado, passar a cobrar de pacientes que atende em ambulatórios públicos! Já imaginaram um médico cardiologista do SUS que passasse a atender também – pelo SUS – pacientes com câncer, mas cobrando deles? A justificativa seria que ele já faz sua obrigação ao atender os doentes do coração, mas precisa complementar seu salário e arrecadar fundos para o hospital – o atendimento a pacientes com câncer seria para ele apenas “atividade-meio”, então ele poderia cobrar… Obviamente, isso seria inconstitucional, desnaturaria o caráter de serviço público do SUS, imporia uma restrição econômica ao direito à saúde, e talvez ainda acabasse por atrapalhar a dedicação do doutor ao serviço de cardiologia.

Evidente que o salário dos professores precisa melhorar, mas o caminho para isso deve ser o das lutas democráticas pela afirmação da universidade como serviço público, gratuito e de qualidade, e não o da sua privatização e descaracterização acadêmica para fins privados dos professores… Nesse sentido, deve-se louvar a posição do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), contrária à cobrança de taxas pela universidade em qualquer espécie de curso.

A universidade pública precisa, isto sim, de vultosos investimentos públicos que garantam sua qualidade e a expansão necessária para democratizá-la e atender às demandas sociais. Devemos lutar para que a fonte desses investimentos – os tributos que a sociedade paga – sejam recolhidos de forma mais justa, eficaz e progressiva: para que o Imposto sobre Grandes Fortunas, por exemplo, previsto na Constituição Federal de 1988, seja regulamentado e cobrado. Além disso, encontraremos os recursos necessários para fazer a revolução de que o Brasil precisa na educação (das creches às universidades) por meio do controle social do orçamento público e do combate à corrupção – e não pela injusta, ilegal e resignada cobrança de taxas dos estudantes…

UnB do Século XXI: Universidade Pública ou Universidade da Mandioca?

Assisti ontem a uma Aula Magna do professor José Geraldo de Sousa Junior, atual Reitor da UnB, para os estudantes de Direito da UFRN. Em determinado momento, ele lembrava que a primeira Constituição brasileira, de 1824, enunciava os direitos fundamentais à liberdade e à igualdade, mas eles eram negados à imensa massa de trabalhadores – escravos – do país. O recurso dos juristas para legitimar a exclusão era afirmar que escravos não eram pessoas, mas coisas (“ferramentas falantes”, no dizer dos antigos)…

Já os juristas de hoje afirmam que aos cursos de especialização não se aplica o princípio de gratuidade porque eles não constituem “atividade-fim”, essencial ou de ensino. O mesmo velho recurso dos juristas de inventar uma distinção absurda para acobertar uma política de exclusão contrária aos direitos humanos (o direito fundamental à educação, no caso atual). O Anteprojeto da Constituição de 1824 condicionava o direito ao voto a um critério censitário, de renda, que não era medido em renda, mas em alqueires de farinha de mandioca… O passado faz-se presente nas  barreiras econômicas impostas contra o direito à educação.

Sempre haverá, porém, como houve outrora contra a escravidão, juristas, educadores, cidadãos comprometidos com a afirmação dos direitos humanos. Espera-se que o Reitor José Geraldo mantenha-se fiel a esse lado, e assuma a luta contra a cobrança de taxas na UnB. Não há outra forma de ser coerente com o que escreveu sobre a mercantilização da educação em artigo recém-publicado (“Educação em Direitos Humanos: desafio às universidades”, Revista Direitos Humanos, edição n. 2, 2009):

Com efeito, contrariando as conclusões da Conferência Mundial do Ensino Superior realizada em Paris, em outubro de 1998, sob coordenação da Unesco, quando se estabeleceu que o ensino superior é um serviço público, portanto, um direito a que todo cidadão tem acesso, ganha intensidade no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC) a tentativa, capitaneada por importantes países, entre eles os EUA, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, a Noruega e o Japão, de considerar o ensino superior como um serviço comercial.

Em bem fundamentado estudo sobre esse tema, o professor Marco Antônio Rodrigues Dias, ex-diretor da Divisão de Ensino Superior da Unesco, identifica a razão dessa tentativa, ao revelar a existência de cobiçado mercado mundial de conhecimento, que poderia ter alcançado o montante de 53 bilhões de dólares em 2003.

E mais à frente, reproduzindo indagação do professor Boaventura de Sousa Santos:

Nesse momento, traz-se o Mercantilismo para dentro da universidade. Como é que professores que estão envolvidos em uma universidade totalmente mercantilizada – ou que podem ser forçados a participar dela – podem depois defender durante as aulas os valores da solidariedade, da cidadania, da Democracia”.

A UnB do Século XXI trilhará o caminho da educação como serviço público ou como mercadoria? Queremos uma universidade da mandioca, ou uma universidade pública?

Quem elege é quem derruba, Fora Arruda!

16 de janeiro de 2010

Texto postado no blog Brasil e Desenvolvimento, em 14/12/09

Atenção, atenção! Os atores principais, presentes aqui nesta praça, solicitam aos figurantes que até agora estiveram no poder que se retirem! Delicada e naturalmente, dizemos: é a vez da voz que vota, é a vez da voz que veta! Quem elege é quem derruba, não se iluda! ” 

Sinfonia das Diretas (Sinfonia das Buzinas) – Comício das Diretas Já, Brasília, 1984

Quem nos tiraniza, abusa, arrasa, azucrina; a razão resolve, buzina, Brasília, buzina!

177 motoristas formavam a orquestra da Sinfonia das Buzinas, executada para 30 mil pessoas no grande Comício das Diretas em Brasília, no dia 1º de junho de 1984. Com música do maestro Jorge Antunes e poemas de Tetê Catalão, foi escrita para um declamador, uma orquestra de automóveis tocando buzinas, um coral, efeitos eletrônicos e instrumentos (entre os quais um naipe de panelas, daí os versos: “Um dia é do caçador, o outro é da caçarola!”). Ouça aqui versão compacta com excertos. Nos 2 primeiros minutos deste vídeo (trecho do CD da Sinfonia), o professor Antunes narra a apresentação:

Quem nos tiraniza, ARRUDA, arrasa, azucrina; a razão resolve, buzina, Brasília, buzina!

Brasília não é só o centro do poder institucional brasileiro. Não é lugar apenas de políticos e empresários corruptos. Os 50 anos que a cidade completará no dia 21 de abril de 2010 contemplam também uma história de resistência e criação, de um povo que se atreve a lutar pela democracia usando como armas a organização popular pacífica, inventiva e irreverente. A ditadura acabou, mas a luta democrática jamais terá fim: democracia é por definição imperfeita e inacabada, e só existe onde há gente disposta a construi-la e conquistá-la. O povo do DF assumiu essa tarefa no passado, e a assume hoje: fora Arruda, Paulo Otávio e toda a máfia!

Sempre haverá luz que se atreva às trevas!

Sempre haverá quem se atreva à travessia, ao atroz, mesmo por um triz!

Sempre haverá quem se atreva a ser feliz!

Somos os fios da manhã de um novo amanhã!

“Amanhã é a primeira manhã de um novo amanhã!”, dizia a Sinfonia das Diretas. E o Fora Arruda afirma: “Amanhã será maior!”.

O povo unido jamais será vencido. Arruda cairá. Buzina, Brasília!

Poema de Jorge Antunes, recentemente publicado:

“Soneto das buzinas

Brasília tem sons de quietude,
a gente em silêncio se afina.
A paz é uma nossa virtude:
vivemos aqui sem buzina.

Porém, se nos falta a justiça,
se o mal do tirano domina,
mudanças verás na premissa:
a gente recorre a buzina.

Se nossa esperança é pó,
a luz-liberdade ilumina
o grito, a voz, o gogó.

Mudamos então a rotina,
tal como um clamor Jericó:
Buzina! Brasília, buzina!

O POVO AO PODER – Castro Alves

7 de dezembro de 2009

Em 1864, Castro Alves tinha 17 anos de idade, era estudante da Faculdade de Direito do Recife, militante e poeta republicano abolicionista. Para manifestar-se contra a repressão policial de um comício e a prisão do grande jornalista paraibano Antonio Borges da Fonseca, escreveu o vibrante poema “O povo ao poder”.

Lá se vão 145 anos, e o sonho de um Brasil republicano continua vivo na luta dos ocupantes da Câmara Legislativa do Distrito Federal: reivindicam poder para o povo, e lutarão até o fim – pacificamente – contra a utilização do aparato institucional para legitimar a violência e a opressão.

O Brasil que nasce na rua, na praça, sabe que a única saída republicana contra a corrupção plutocrática das nossas instituições é a resistência:

Precisamos rediscutir os projetos aprovados na CL-DF. Eles são fruto de uma política neoliberal orientada pela especulação imobiliária, a exclusão social, a violação aos Direitos Humanos, e a perda de direitos sociais. Eles não respondem às necessidades básicas da população. Não podemos nos calar! Convidamos toda a população e movimentos organizados a unirem-se pelo Fora Arruda, Paulo Octávio e toda a máfia, que há tempos destrói a dignidade do povo e da política da capital do país. Só o povo nas ruas pode conquistar o fim da corrupção.

Castro Alves também o sabia:

“O POVO AO PODER

Quando nas praças s’eleva
Do Povo a sublime voz…
Um raio ilumina a treva
O Cristo assombra o algoz…

Que o gigante da calçada
De pé sobre a barrica
Desgrenhado, enorme, nu
Em Roma é catão ou Mário,

É Jesus sobre o Cálvario,
É Garibaldi ou Kosshut.

A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor!

Senhor!… pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua seu…
Ninguém vos rouba os castelos

Tendes palácios tão belos…
Deixai a terra ao Anteu.

Na tortura, na fogueira…
Nas tocas da inquisição
Chiava o ferro na carne
Porém gritava a aflição.
Pois bem…nest’hora poluta

Nós bebemos a cicuta
Sufocados no estertor;
Deixai-nos soltar um grito
Que topando no infinito

Talvez desperte o Senhor.

A palavra! Vós roubais-la
Aos lábios da multidão
Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.
Mas qu’infâmia! Ai, velha Roma,
Ai cidade de Vendoma,
Ai mundos de cem heróis,
Dizei, cidades de pedra,
Onde a liberdade medra
Do porvir aos arrebóis.

Dizei, quando a voz dos Gracos
Tapou a destra da lei?
Onde a toga tribunícia
Foi calcada aos pés do rei?
Fala, soberba Inglaterra,
Do sul ao teu pobre irmão;
Dos teus tribunos que é feito?
Tu guarda-os no largo peito
Não no lodo da prisão.
No entanto em sombras tremendas
Descansa extinta a nação
Fria e treda como o morto.
E vós, que sentis-lhes os pulso
Apenas tremer convulso
Nas extremas contorções…
Não deixais que o filho louco
Grite “oh! Mãe, descansa um pouco
Sobre os nossos corações”.

Mas embalde… Que o direito
Não é pasto de punhal.
Nem a patas de cavalos
Se faz um crime legal…
Ah! Não há muitos setembros,
Da plebe doem os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensangüentado
Diz: já não posso sofrer.
(more…)

B&D promove Roda-Viva com Mangabeira Unger na UnB!!!

14 de outubro de 2009

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Roberto Mangabeira Unger, professor de Harvard e ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), estará na UnB na próxima sexta-feira, dia 16 de outubro, às 10h00, no Auditório Joaquim Nabuco (prédio da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas, FA), para discutir o projeto de futuro do país.

O evento Pensando o Futuro do País, promovido pelo Grupo Brasil e Desenvolvimento, contará com a participação do DCE-UnB e do CADIR.

Lembrando que no próximo domingo haverá mais um encontro do 1º curso de formação política B&D, às 15h, também na FA. O texto desta semana é do professor Mangabeira Unger (trechos do livro O que a esquerda deve propor).

Em momento como esses, lamento estar na França… Pena que ainda não tenham inventado uma forma de se estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Revitalizar la Extensión para transformar la Universidad

12 de outubro de 2009

Fonte: Universidade de la República (Uruguay), repassado pela @silviajae.

Declaración final: “Revitalizar la Extensión para transformar la Universidad. Transformar la Universidad para contribuir a la transformación social”
La Declaración final del 10º Congreso Iberoamericano de Extensión Universitaria, aprobada el viernes, expresa que “sin una activa y comprometida participación de todos los actores universitarios y fundamentalmente del movimiento estudiantil organizado, haremos únicamente pequeños cambios y no la transformación universitaria que se requiere para poder aportar dialógica y críticamente a la construcción de una sociedad nueva”. Lea texto completo.
DECLARACIÓN FINALX Congreso Iberoamericano de Extensión Universitaria José Luis Rebellato – “EXTENSO 2009”

Revitalizar la Extensión para transformar la Universidad. Transformar la Universidad para contribuir a la transformación social

Reunidos en el “X Congreso Iberoamericano de Extensión Universitaria ‘ExtenSo 2009’”, organizado por la Universidad de la República, en el marco de la Unión Latinoamericana de Extensión Universitaria, en la ciudad de Montevideo entre los días 05 y 09 de octubre de 2009, nosotros, los actores de la universidad y militantes sociales de Latinoamérica, acordamos emitir la siguiente declaración: (more…)

Educação e pesquisa em rede (RT @plevy)

29 de setembro de 2009

Contribuição às reflexões sobre metodologias de ensino:

RT @plevy Educational resources on “Networks: Theory and Application” http://bit.ly/3BMBOA via @gfbertini

E esta, à disseminação e produção coletiva de pesquisas acadêmicas:

RT @plevy Another open science initative: Wikipedia for academic research http://bit.ly/6a5WY

Obtive as duas indicações pelo twitter do professor Pierre Lévy, grande pensador da cibercultura, das relações entre internet e sociedade: eis uma confirmação performática da contribuição de novas formas de comunicação à produção e disseminação do conhecimento!

Esse tema foi explorado na Conferência Livre de Comunicação da UnB, realizada pelo DCE e outros grupos na semana passada – e que foi produzida também por meio de ferramentas digitais de participação, como blog e twitter. Aliás, ela ainda não acabou: a parte presencial, sim, mas persiste uma votação no blog.

Interessante como a internet relativiza tempo e espaço e potencializa espaços de discussão… É claro que não resolve o problema da educação nem o da esfera pública, mas certamente tem uma grande contribuição a dar a ambos. É nosso dever pensar o que fazer para incrementar seu potencial emancipatório e reduzir os riscos que possa trazer (sobre riscos oferecidos pela internet ao espaço público, ver a opinião de Cass Sunstein, no livro Republic.com). (more…)

CADIR UnB: em defesa da expansão democrática da Universidade pública!

23 de setembro de 2009

Abaixo, nota oficial do Centro Acadêmico de Direito da UnB em defesa da expansão democrática da Universidade de Brasília. A atuação independente e vigorosa do CADIR nesta causa espelha-se em sua tradição de ativismo público cotidiano pela construção de uma Faculdade de Direito de qualidade e socialmente referenciada. Importante constatar também que a mobilização é fruto do engajamento de inúmeros alunos, e não só daqueles que compõem a Gestão Diretora do CADIR (o CADIR somos todos nós, estudantes da FDUnB). Também isso reflete processo de incremento da abertura participativa do CADIR, cada vez mais intenso desde 2006, e que se faz sentir no dia-a-dia dos trabalhos do CA – cada tema que é deliberado no Conselho da Faculdade de Direito, por exemplo, é ativamente encaminhado pelo CADIR para debate prévio entre todos os alunos (em reuniões e grupo de e-mails). E o debate de fato acontece, enriquecendo e legitimando as posições e ações institucionais tomadas.

Eis a nota, redigida pela @gabirondon:

“Nota do Centro Acadêmico de Direito da Universidade de Brasília

O Centro Acadêmico de Direito da Universidade de Brasília gostaria de enfatizar, em primeiro lugar, que se posiciona favoravelmente à expansão da Universidade pública. A gestão diretora, como entidade representativa de todos os estudantes da FD-UnB, reconhece que a Academia, assim como todos os que dela fazem parte, tem o compromisso de concentrar esforços na efetivação de sua função social. Conseqüentemente, nada mais justo que promover a ampliação do acesso ao ensino público à sociedade em geral.

No entanto, é importante ressaltar que o acesso à Universidade não se restringe ao simples ingresso ao ambiente universitário. É imprescindível que se pense na qualidade da aprendizagem que será proporcionada, não só no âmbito do ensino, como também da pesquisa e da extensão. Isso está diretamente relacionado à possibilidade material de a Universidade promover o curso com excelência acadêmica e atendendo às exigências curriculares e de formação profissional. Uma duplicação brusca do número de vagas para a graduação em Direito, que passa ao largo de análises de risco mais minuciosas, não pode ser aceita sem questionamento. Deve-se exigir que, ao menos, as discussões sobre o tema sejam aprofundadas, para que não se desorganize a instituição na tentativa atropelada de aprimorá-la.

O CADir também advoga que essa não deve ser – e não é – uma bandeira exclusiva do curso de Direito, visto que a expansão universitária é um assunto que afeta a toda a comunidade acadêmica. É urgente a necessidade de mais debate e transparência nos mais diversos espaços de deliberação, para que decisões de tamanha magnitude, como essa, não sejam tomadas às pressas, carecendo de planejamento criterioso, embasamento pedagógico, plano de destinação de verbas e prazos concretos para a implementação de nova infra-estrutura.

Portanto, pleiteamos a reavaliação e suspensão da expansão de vagas para o 1º vestibular de 2010, pois acreditamos que não houve tempo suficiente para criar as condições necessárias para uma transformação de tamanha envergadura. Apenas em um ambiente de efetiva gestão compartilhada tal projeto será satisfatoriamente debatido por todos os segmentos que dele participarão e, então, poderá ser tomada a decisão mais adequada. Com tal intento, o CADir tem agido em várias frentes, tanto pelas vias judicial e administrativa, quanto por atuação política – reuniões com a direção da Faculdade e o Decanato de Ensino e Graduação, além de contato com a pós-graduação – e mobilização do movimento estudantil da UnB.

Clamamos a todos que se juntem a nós nessa luta!”

Para acompanhar o andamento da luta do CADIR (que inclui recurso ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB e ação judicial): http://www.cadir-unb.org/

Veja também discurso proferido pelo Gustavo Capela em debate que o CADIR promoveu (com participação do Reitor, prof. José Geraldo, da FD) sobre os desafios da gestão compartilhada.

Estética, Política e Revolução: Jacques Rancière

21 de setembro de 2009

Transcrevo abaixo trecho de uma das melhores entrevistas que li em muito tempo. Com Jacques Rancière, para a Revista Cult, edição 139, de agosto. Agradeço a Conceição Medeiros, minha tia, pela indicação.

O mote da conversa é o livro “Le spectateur émancipé” (“O espectador emancipado”), recém-lançado aqui na França e ainda inédito no Brasil. Recomendo a leitura da íntegra da entrevista a quem se interessar por estética, política, arte, terrorismo, internet, revolução, movimentos sociais, segurança, vigilantismo…  Aqui, publico as partes que dizem mais respeito a um dos meus temas preferidos: a revolução. E vou correndo procurar o livro de Rancière, que pretendo ler e resenhar.

“(…) CULT – O senhor rejeita a ideia de estetização da política que encontramos em Walter Benjamin. Como podemos interpretar a manipulação das sensações dentro do campo político? Por exemplo, o incentivo ao medo do terrorismo, a apresentação de políticos como mercadorias não seriam maneiras de estetizar a relação das pessoas com o poder político?

(…) A estética e a política são maneiras de organizar o sensível: de dar a entender, de dar a ver, de construir a visibilidade e a inteligibilidade dos acontecimentos. Para mim, é um dado permanente. É diferente da ideia benjaminiana de que o exercício do poder teria se estetizado num momento específico. Benjamin é sensível às formas e manifestações do Terceiro Reich, mas é preciso dizer que o poder sempre funcionou com manifestações espetaculares, seja na Grécia clássica, seja nas monarquias modernas.
Há um momento em que é preciso distinguir duas coisas: de um lado, a adoção de certas formas espetaculares de mise-en-scène do poder e da comunidade. De outro, a idéia mesma de comunidade.

É preciso saber se pensamos a comunidade política simplesmente como um grupo de indivíduos governados por um poder ou se a pensamos como um organismo animado. Na imaginação das comunidades há sempre esse jogo, essa oscilação entre a representação jurídica e uma representação estética. Mas não creio que se possa definir um momento preciso de estetização da comunidade. Por exemplo, o nazismo, que é usado frequentemente como exemplo de política estetizada, na verdade também recuperou a estética de seu tempo. Pense nas demostrações dos grupos de ginástica em Praga nos anos 1930. Eram associações apolíticas ou absolutamente democráticas, com a mesma estética que encontramos no nazismo. Para mim, é preciso tomar distância da ideia de um momento totalitário da história marcado especialmente pela estetização política, como se pudéssemos inscrever isso num momento de anti-história das formas estéticas da política e das formas de espetacularização do poder. (…)

CULT – Se a mudança do mundo passa por reconfigurações da maneira de pensar e entender a realidade, então ela não passa pelas revoluções como as conhecemos?

Rancière – Podemos pensar nisso baseados nas revoluções que já aconteceram. Em primeiro lugar, uma revolução é uma ruptura na ordem do que é visível, pensável, realizável, o universo do possível. Os movimentos de revolução sempre tiveram a forma de bolas de neve.             A partir do momento em que um poder legítimo se encontra deslegitimizado, parece que não está em condições de reinar pela força, porque caíram todas as estruturas que legitimam a força. Criam-se cenas inéditas, aparecem pessoas que não eram visíveis, pessoas na rua, nas barricadas. As instituições perdem a legitimidade, aparecem novos modos de palavra, novos meios de fazer circular a informação, novas formas da economia, e assim por diante. É uma ruptura do universo sensível que cria uma miríade de possibilidades.            Não penso as revoluções, nenhuma delas, como etapas de um processo histórico, ascensão de uma classe, triunfo de um partido, e assim por diante. Não há teoria da revolução que diga como ela nasce e como conduzi-la, porque, cada vez que ela começa o que existia antes já não é válido.
Existe uma carta interessante de Marx, um pouco após 1848, quando os socialistas pensavam que as estruturas seriam abaladas mais uma vez. Ele diz que as revoluções não funcionam como os fenômenos científicos normais, são mais como os fenômenos imprevisíveis, os terremotos. Não sabemos como elas vão se comportar. Todas as teorias científicas, estratégicas, das revoluções demonstram isso.

CULT – Não podemos antecipá-las…

Rancière – Podemos prepará-las, mas não antecipá-las. A temporalidade autônoma de uma revolução, os espaços que elas criam não correspondem jamais ao quadro conceitual que temos no início.

CULT – A estratégia da esquerda tradicional é o confronto aberto, o que se opõe à sua teoria de reconfiguração estética da vida política…

Rancière – Temos de pensar na estética em sentido largo, como modos de percepção e sensibilidade, a maneira pela qual os indivíduos e grupos constroem o mundo. É um processo estético que cria o novo, ou seja, desloca os dados do problema.

Os universos de percepção não compreendem mais os mesmos objetos, nem os mesmos sujeitos, não funcionam mais nas mesmas regras, então instauram possibilidades inéditas. Não é simplesmente que as revoluções caiam do céu, mas os processos de emancipação que funcionam são aqueles que tornam as pessoas capazes de inventar práticas que não existiam ainda.        Não sou contra processos cumulativos, claro: se imigrantes ilegais têm capacidade de fazer greves e manifestações em condições perigosas para eles mesmos, isso define um alargamento não só do poder e das capacidades que temos, mas também do mundo no qual inscrevemos nossas ações e nosso pensamento.        A transformação dos mundos vividos é completamente diferente da elaboração de estratégias para a tomada do poder. Se há um movimento de emancipação, há uma transformação do universo dos possíveis, da percepção e da ação, então podemos imaginar como consequência também um movimento de tipo revolucionário, de tomada do poder. É claro que estamos falando do passado, porque o presente não é muito alegre.

CULT – Por que “o presente não é muito alegre”?

Rancière – O presente não é alegre porque não há esperanças fortes, digamos assim, que sustentem os movimentos existentes.           Por exemplo, a recente greve das universidades, que criou algumas formas de manifestação, digamos, particulares: cursos na rua, no metrô, invenções para deslocar para o campo da sociedade como um todo o problema que atinge o ensino superior francês.
Mas todas essas inovações foram completamente isoladas do ponto de vista da informação. O ano de 1968 existiu em parte porque o rádio cobria profundamente o movimento estudantil, sabia-se tudo que acontecia, havia uma geração de jovens repórteres de rádio que fez circular as informações. (more…)

Participe da Conferência Livre de Comunicação da UnB!!!

18 de setembro de 2009

Dediquei meu post da semana no blog do Grupo Brasil e Desenvolvimento para convidar todos a uma importante mobilização pela democratização da comunicação:

Participe da Conferência Livre de Comunicação da UnB!!!

A proposta da Conferência Livre de Comunicação da UnB surgiu durante evento no no dia 10 de junho deste ano, no Dia da Democratização da Comunicação na UnB, realizado em parceria por diversos grupos e indivíduos, sob liderança do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães da UnB e com ativa participação de membros do Grupo Brasil & Desenvolvimento. (Vide matéria no site da UnB: “Estudantes querem comunicação democrática“).

Foto retirada do site da UnB

(Foto retirada do site da UnB)

Reproduzo abaixo a apresentação do blog da Conferência Livre. Participe!!!

Com muita luta foi convocada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação para dezembro desse ano e a etapa Distrital ocorrerá em novembro. Esses eventos abrem a possibilidade de se pensar os rumos da Comunicação do país e no DF, porém não os garante. Várias das discussões mais complexas dependem diretamente da mobilização dos movimentos sociais e é exatamente por isso que é função de toda a nossa sociedade pensar esse momento.

Por esses motivos, será realizada, nos dias 24, 25 e 26 de setembro, a 1ª Conferência Livre de Comunicação na UnB,  que será um momento de aprofundamento dos debates, de articulação e mobilização de toda comunidade ligada a UnB. Com uma Programação estruturada em cima de três mesas temáticas e diversos grupos de trabalho, o evento emitirá certificado de extensão da UnB aos seus participantes. A Conferência Livre produzirá um documento com propostas a ser encaminhado para a Conferência de Comunicação do DF.

E o debate já se inicia aqui no BLOG! As suas contrbuições devem ser enviadas para o e-mail

conferencialivreunb@googlegroups.com

devendo ser dirigidas a um dos temas abaixo, referentes às mesas de debate que fazem parte da 1ª Conferência Livre de Comunicação na UnB. Você também pode participar do debate com comentários aos posts já enviados (clique nos temas abaixo para ver os posts):

Mesa 1

Comunicação na Universidade – produção, difusão e interação

Atualmente, as universidades brasileiras abrigam rádios comunitárias e livres, bem como utilizam diversos formatos de comunicação. Alguns professores e estudantes consideram importante ampliar o acesso aos meios de comunicação e desenvolvem projetos em comunidades com este intuito. Também é comum encontrar revistas, jornais, rádios e televisões institucionais nas universidades. Portanto, é essencial discutir as necessidades e demandas da comunicação acadêmica.

Mesa 2

Desafios para a democratização da comunicação no Brasil

No Brasil, há uma situação de oligopólio dos meios de comunicação e de propriedade cruzada. Este contexto dificulta o acesso da população à produção ativa de comunicação. Ainda, a relação entre comunicação e poder permanece estreita, uma vez que porcentagem considerável das concessões de radiodifusão está em mãos de políticos. (more…)