O financiamento das universidades na Alemanha e nos EUA

Segundo uma colega alemã da minha turma de francês aqui em Lyon, a taxa cobrada de cada estudante alemão para cursar a universidade é de 500 euros por semestre, mil euros anuais. Ela disse que isso é recente, até há pouco tempo a universidade era gratuita para os estudantes.

Ela não paga porque é a terceira irmã da família a chegar ao ensino superior. Sua outra irmã, a 4ª, também não pagará. O critério é unicamente esse, segundo ela: totalmente objetivo, de acordo com o número de irmãos na família, não se levando a renda em conta (o que ela considera bizarro).

O DAAD informa:

Ensino superior alemão custa 33 bi de euros

As instituições de ensino superior (IES) públicas e privadas da Alemanha registraram, em 2007, despesas totais de 33,3 bilhões de euros em ensino, pesquisa e prestação de serviços de saúde, ou seja, 1,2 bilhão (3,6%) a mais que no ano anterior, divulgou o Departamento Federal de Estatísticas (Destatis). Mais da metade (19,2 bilhões de euros) destinaram-se às folhas de pagamento de pessoal nas IES. Os investimentos significaram 2,7 bilhões de euros. Os estabelecimentos universitários de saúde e medicina consumiram 15,8 bilhões em ensino, pesquisa e tratamentos. O aumento nas despesas foi compensado com alta também na arrecadação própria das instituições. Em 2007, os estudantes pagaram às IES cerca de um bilhão de euros, enquanto as receitas patrimoniais e de atividades econômicas atingiram 11,3 bilhões, sendo 90% deste valor arrecadado nos estabelecimentos de saúde. Principais patrocinadores das IES foram a Fundação Alemã de Pesquisa Científica (1,4 bilhão de euros), empresas (1,1 bilhão) e o governo federal (900 milhões).” (eu negritei)

Por outro lado, na minha turma de francês há também uma americana que acaba de concluir MBA em Stanford e de ser contratada para trabalhar no fundo de investimentos da universidade. Para se financiarem, as universidades americanas lançam-se no mercado: a universidade não apenas tem pesquisas financiadas por empresas, ela própria torna-se uma empresa que por vezes age no mercado com o único objetivo de maximizar seus lucros.

São modelos de financiamento que queremos para a Universidade brasileira? Eu ainda acho mais adequado mantê-la como serviço público de utilização gratuita. A propósito, escrevi na semana passada: A Universidade na encruzilhada dos serviços públicos no Brasil

PS: veja aqui notícia do DAAD sobre a despolitização da nova geração alemã. Achei péssimo saber que os jovens da Alemanha estão menos interessados não apenas pela política partidária, mas também por causas sociais e pelo meio ambiente. Será que existe relação entre essa despolitização e a recente instituição da cobrança de taxas na Universidade?

2 Respostas to “O financiamento das universidades na Alemanha e nos EUA”

  1. Rodrigo Says:

    Telésforo, qual é a possível relação entre cobrança de taxas e despolitização do estudante universitário? Uma coisa implica a outra, por acaso? Acho que você forçou a barra nesse ponto, talvez porque, nesse ponto, sua visão esteja tão comprometida com determinada ideologia, que você nem sequer se permite considerar, por um minuto que seja, que a cobrança de taxas na universidade pública pode ser, sim, uma boa ideia.

  2. João Telésforo Medeiros Filho Says:

    Rodrigo, acredite, a proposta de instituir cobrança de taxas na universidade não está entre as que eu não levo a sério. Em geral, eu não escrevo e muito menos divulgo propostas que julgue idiotas ou mal-intencionadas; via de regra, seria diletantismo intelectual e irresponsabilidade política fazer isso. Então, se estou dando tanta atenção ao tema, discutindo, divulgando, é porque levo a proposta a sério, embora continue divergindo radicalmente dela, por motivos que já expus e que continuo disposto a debater.

    A possível relação que imaginei não é de causa e efeito entre as duas coisas, mas é de pensar possíveis causas comuns. Acho que pode haver condicionamentos comuns entre a maior apatia da nova geração e a cobrança de taxas pelo uso de um serviço público (o que vai além da universidade e tem a ver, em alguma medida, com o modelo de serviços públicos, como apontei naquele texto A Universidade na encruzilhada dos serviços públicos no Brasil).

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